A salamandra que ganhou um prémio — e porque isso importa (mais do que parece)
Em 2018, numa das principais feiras europeias dedicadas ao aquecimento doméstico, a Hearth & Home Exhibition, no Reino Unido, uma salamandra destacou-se entre dezenas de propostas. Não foi a mais potente, nem a mais imponente. Foi, simplesmente, a mais equilibrada.
A Hergom Glance venceu o prémio de melhor salamandra acima dos 5 kW. À primeira vista, pode parecer apenas mais uma distinção num setor onde os prémios são frequentes. Mas neste caso, o reconhecimento diz algo mais profundo sobre a forma como estes equipamentos estão a evoluir.
Porque a Glance não foi pensada como um objeto técnico. Foi pensada como parte da casa.
Quando o design deixa de ser acessório
Desenhada pelo estúdio dinamarquês Strand + Hvass, a sua linguagem é imediatamente reconhecível: linhas limpas, proporções controladas, ausência de excesso. Há uma intenção clara de simplificar, de reduzir o objeto ao essencial.
E é precisamente essa contenção que lhe dá força.
Mas o mais interessante não está apenas na forma.
Está na forma como essa forma muda a relação com o fogo.
Ver o fogo muda tudo
O nome “Glance” sugere isso mesmo — um olhar, um momento.
A salamandra abre-se ao espaço com vidro frontal e laterais, criando uma visão alargada da chama. O fogo deixa de estar escondido dentro de um volume fechado e passa a fazer parte do ambiente.
Não como espetáculo. Mas como presença.
É aqui que se percebe porque foi premiada.
Não pela tecnologia isolada, nem pelo design isolado, mas pela forma como junta os dois.
Leveza visual num equipamento de calor
Outro detalhe que reforça esta ideia é a forma como se posiciona no espaço.
A possibilidade de instalação suspensa ou sobre uma base leve altera completamente a leitura do objeto. Em vez de um bloco pesado pousado no chão, temos algo que quase flutua.
Uma peça que se aproxima mais de mobiliário do que de um equipamento técnico.
E isso, num contexto de arquitetura contemporânea, faz toda a diferença.
Tecnologia que não precisa de protagonismo
A eficiência térmica, a combustão otimizada e o controlo do ar estão lá, como seria expectável num equipamento moderno.
Mas não são o centro da narrativa.
São a base que permite que tudo o resto funcione.
E isso é um sinal claro de maturidade no produto.
O verdadeiro significado do prémio
Ganhar este prémio não significa que seja “a melhor salamandra”.
Significa algo mais relevante:
representa uma mudança de direção no setor.
Uma passagem clara de um produto técnico para um elemento arquitetónico, onde o fogo deixa de ser apenas fonte de calor e passa a ser parte da experiência da casa.
O que isto muda para quem está a escolher
Hoje, aquecer um espaço já não é o único objetivo.
A questão passa a ser outra:
como é que o equipamento vive dentro da casa?
Porque há uma diferença enorme entre ter uma salamandra e integrar o fogo no espaço.
E essa diferença sente-se todos os dias.
🔥 LIGAÇÃO À SMARTFIRE
Hoje, escolher um equipamento de aquecimento já não é apenas uma decisão técnica.
É uma decisão sobre conforto, estética e forma de viver.
Não apenas o que aquece — mas como o fogo faz parte da casa.










